12 bombeiros militares do CBMSC enfrentaram cenários de alta complexidade como parte da preparação para a maior competição de salvamento em altura da América Latina
Eram 07h30 quando doze bombeiros militares do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) começaram a se preparar. Dezessete horas depois, o último simulado ainda estava em curso. Não havia ocorrência real. Mas tudo era tratado como se houvesse.
Esse é o espírito do 3º Treinamento de Salvamento em Altura voltado ao Rope Days: um ciclo contínuo de treinamento intensivo voltado ao salvamento em altura, que mistura exaustão física, tomada de decisão sob pressão e execução técnica, nas ancoragens e nas tirolesas. A atividade faz parte da construção de uma equipe que, em maio deste ano, vai a São Paulo em busca de um feito inédito: o tricampeonato consecutivo da maior competição de salvamento em altura da América Latina.
O CBMSC não chega ao RopeDays 2026 como coadjuvante. A corporação catarinense conquistou o vice-campeonato em 2023 e, nas duas edições seguintes, em 2024 e 2025, subiu ao topo do pódio contra 19 equipes de diferentes países. Agora, o objetivo é o tricampeonato. Os treinamentos são fundamentais para esse caminho.
O evento internacional, organizado pela Escola Superior de Bombeiros de São Paulo, reúne as melhores equipes de resgate técnico do continente e este ano abre para participação de equipes civis. Os cenários só são revelados na hora da prova. Dessa forma, os bombeiros precisam chegar ao local, montar o sistema de cordas, estabilizar a vítima e executar a retirada com precisão e rapidez.
"Cada treinamento foi pensado para reproduzir desafios reais que enfrentamos no dia a dia. Nossa maior missão não é vencer a competição, mas salvar vidas", afirmou o tenente Robson Fermiano Barbosa Silva, instrutor da equipe.
O treinamento
O formato do treinamento é propositalmente extenuante. Não se trata de ensaiar uma técnica em condições ideais, trata-se de executá-la quando o corpo está cansado, o ambiente é adverso e o tempo é escasso. É esse o cenário que os bombeiros do CBMSC encontram nas ocorrências reais.
Durante as mais de 17 horas de atividade, os 12 participantes foram submetidos a simulados operacionais de alta complexidade. Entre as técnicas praticadas estavam a progressão por cordas, a montagem de sistemas de tirolesa e o resgate de vítimas em planos verticais e inclinados. Habilidades que podem ser exigidas em qualquer ocorrência urbana, industrial ou em área natural.
Treinamento e ocorrências reais
A preparação intensiva não é apenas para competições. Em abril de 2026, equipes do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) de Florianópolis foram acionadas para resgatar um trabalhador que havia caído de um telhado no bairro Campeche e ficado suspenso a cerca de 10 metros de altura, preso pelo talabarte de segurança. A retirada exigiu um guincho, planejamento rápido e execução precisa.
Esse tipo de ocorrência não é exceção. Santa Catarina tem um perfil urbano e industrial crescente, com trabalhadores em telhados, torres, andaimes, encostas e estruturas de difícil
O RopeDays 2026 acontece entre os dias 26 e 29 de maio, em São Paulo.